terça-feira, 23 de junho de 2015

Ora, já sei




Já sei que você vai me dizer
Que não te importa sangue
Que não te importa lágrimas
Que não te importa a fala presa na minha garganta
Não te importas em saber
Os gostos e desgostos
Dize: “Olha nêga, samba aí. Bota um sorriso nesse rosto e fique alegre por eu te deixar existir”
Não te importas com meu corpo ausente
Não te importas com ele mal representado
Nada mais te encanta que um preto no retrato
Imóvel, calado
“Venha se deite na minha cama, realize meus desejos, sua mucama”
Não somos sua distração
Comércio pra “mulatólogo”
Corpo para negociação
Ainda nos vendem como nos mercados
Aumentam nosso preço pelo tamanho do nosso sorriso
Me tiram humanidade, me fazem chacota, ouço os risos
Me colocam como carne em promoção
Me respeite, não sou costela de Adão!
Enquanto outras mulheres lutam pelo direito da livre exposição
Nós ainda lutamos para que vistam a representação de nossos corpos sempre despidos
Você não sabe que o motivo da nossa solidão
É uma social construção
Amante escondida
Sua musa clandestina
Não te importas nunca ter sido me dada a opção da fragilidade
Criarem mito sobre minha habilidade para o trabalho braçal
Para que eu me afaste do espaço intelectual
“Toque samba, seja artista
Mas não invada meu espaço, cotista!”


Não te importas com genocídio do meu povo
Não te importas com nossa pele ser a maioria em celas de presídio
Não te importas com nossos corpos sobre papelões nas avenidas
Manchetes apontam para mendiga branca, esta sim é bonita
Não me importo com os lugares que tu me queres delegar
Não me importo com o incomodo que meu cabelo te causa
Não me importo se você não quer me ouvir falar
Por que sei que pra ti o preto bem resolvido
É o que ri das tuas racistas piadas
É a negra que é objetificada calada
Não to me fazendo de vítima, cara pálida
Tô te denunciando
To denunciando o cansaço histórico que você me causa
To denunciando as violências que atingem meu corpo
To denunciando sua ideia de que um negro no beco escuro é suspeito e por isso merece levar seu tiro
To denunciando seus pensamentos sobre mim
126 anos de falsa abolição, de passos de formiga
Ainda tens coragem de me falar em racismo inverso
Não tem como você experimentar no meu universo
Apenas por ter sido chamado de palmito
Não foi seu rosto negro que sentiu necessidade de pó branco
Para se sentir mais bonito
Enquanto o privilegiado quer disputa de espaços de fala
Mais um corpo negro cai no asfalto
Mais uma “globeleza” entra em depressão
Mais uma Cláudia é arrastada
E nessa ilha de Rafael Bragas e Amarildos
Tento manter minha sanidade mental
Luto pra que não seja o meu, para que não seja o seu
O próximo corpo caído.
Bruna de Paula Pereira

Conversas com o espelho

Conversas com o espelho
(Bruna de Paula)
Tenho a estranha mania de pensar o mundo a partir do meu espelho, meu reflexo já foi uma soma do que disseram que eu era, do que queriam que eu fosse. Foi um processo dolorido encontrar o rosto atrás das máscaras que me eram colocadas. Mulheres da minha cor, mulheres negras desde meninas estão acostumadas a ter pessoas dizendo qual é o seu lugar. Ora falavam que meu pé tava na cozinha, ora que meu lugar era a frente de uma escola de samba, também escolhiam meu marido, diziam que deveria ser um gringo, um homem loiro, olhos claros, rico e que através disso eu iria mudar minha vida. Minha mãe sempre me incentivou a olhar além, disse que eu deveria estudar, trabalhar e batalhar pra ter minhas próprias coisas.
Cresci num mundo onde eu não era vista, um mundo onde dizia que todo mundo era igual, mas eu não era tratada como igual.
Na última semana, estive conversando com o espelho, onde hoje me vejo sem as máscaras, meu semblante insatisfeito tinha motivo. Miguel Fallabella, homem branco, quer levar ao ar a série “Sexo e as nega”, olhando o título, novamente senti como se quisessem colocar em mim as tais máscaras que me anulavam no passado. 4 amigas, moradoras de um bairro pobre, em subempregos e loucas por sexo. E muitos se perguntam, onde está o problema?
Para que melhor fique ilustrado, eu sempre retorno a minha infância, onde as mulheres da minha cor nunca estavam representadas nos cargos das empresas das novelas, nunca era a esposa do dono dos impérios retratados, nunca eram as donas dos impérios. Mulheres negras não estavam nos concursos de belezas, só nos que eram pra representar uma beleza carnavalesca. E nas aulas de história, eu só conseguia dar graças a Deus por não ter nascido uns 200 anos mais cedo. Quando comecei a viver minha vida amorosa/sexual os rapazes não flertavam comigo falando sobre minha beleza, o flerte era sempre sobre como mulheres negras eram quentes e fogosas.
Miguel Fallabella, dar protagonismo não é fazer isso que você está fazendo, reforçando estereótipos. Sim, gostamos de sexo, não há problema nenhum nisso, mas quando nossa imagem é somente remetida a mulheres de sexo fácil, quando nos objetificam e você contribui pra dar visibilidade a essa imagem, você não está nos tornando protagonistas. Quando você não ouve nossas vozes e nos chama de capitães do mato por estarmos reivindicando nossos direitos, você não nos dá o protagonismo. Sim, nós somos domésticas, mas também somos advogadas, professoras, pedagogas, psicólogas, nutricionistas, veterinárias, esteticistas, figurinistas... 


Quando acontece um caso de racismo que chega ao conhecimento de todos, como tem acontecido com o racismo no futebol, os artistas se mobilizam, fazem campanhas publicitárias contra o racismo, comem bananas. Mas no dia a dia, é na nossa cara que a banana é jogada, são os nossos corpos que são arrastados e jogados nos becos. A mídia que faz a campanha é a mesma que nos invisibiliza e silencia, não nos dá destaque e quando dá, temos que ficar satisfeitos com qualquer coisa “qual foi pretinha, to aqui pagando de princesa Isabel, te ajudando e você ainda quer reclamar?”, foi exatamente o que eu interpretei do pronunciamento do Miguel Fallabella.
A grande mídia contribui para que não sejamos reconhecidos como seres humanos em sua plenitude e aguarda a bomba estourar para dizer que está do nosso lado fazendo campanhas pouco eficientes, já que diariamente torturam e desgraçam a nossa imagem.
Meu espelho reflete a luta das minhas ancestrais, refletem o sorriso das minhas irmãs, suas histórias de vitória ou dor. Meu espelho não reflete nenhuma história que um branco equivocado resolva contar sobre mim.
E não precisa me dizer que a série ainda nem começou pra eu estar aqui falando, eu vivencio os julgamentos há 23 anos, já sei quando vão honrar ou não minha história só lendo a capa do livro. Quem quer reafirmar nossas lutas, ouve nossas demandas em vez de dar o que supõe que a gente precisa.
E se tem uma coisa que a gente não precisa, é mais gente divulgando a nossa imagem como a carne mais barata do mercado.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Preta

Preta, eu sei
Eu sei que você não gostava muito de se olhar no espelho
Sei que seu cabelo era um problema
Preta, eu sei
Eu sei que a professora não tocava sua cabeça como a das outras meninas
Eu sei que você não tocava nos seus fios
Eu sei da dor que era desembaraçar
Eu sei também que vieram os apelidos
Eu sei que seu desejo era acabar com aquilo
Eu sei que nenhuma boneca sua se parecia com você
Ou nenhuma estrela de tv
Eu sei que você se achava menos bonita
Eu sei o que você fez pra escapar disso tudo
Você relaxou, não foi? Você alisou...
Você puxou, você esticou
Eu tava lá, preta... eu vi
Você se desenhou branca? Você sonhou com você tendo outro cabelo e outra pele?
Tava imposto, não tinha jeito
Você fingia ser outra pra alcançar respeito
Eu sei preta, que você se viu na outra preta que passou
Com seu cabelo solto, cheio de crespura e amor
Eu sei que você se viu




Eu sei, preta... você tem medo, né?
Você acha que seu cabelo não é digno de respeito
Você tem medo dos olhares e das reações
Mas preta, deixa eu te contar
Beleza maior em você, irá encontrar
Você nunca se sentiu completa com aquelas máscaras, não é verdade?
Você vai viver a beleza de ser você
Vai ver, vai gostar
Vai voltar pra me contar
Vem preta, solta esse cabelo
Olhe suas irmãs e veja quanto espelho
Descobriu seu poder?
Ninguém nunca mais vai te dizer
Quem você tem que ser.
Bruna de Paula.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

O que cabelo tem a ver com racismo?

Hoje me deparei com o seguinte comentário nessa rede social de meu Deus: "O que tem a ver racismo com mandar a Blue Ivy pentear o cabelo?"

Bom, vamos por partes né? Embora muita gente não saiba (nem sei se ela sabe), mas a Beyoncé é negra (OOOHHH). Sério, ela não é moreninha, café com leite, queimadinha, mulata e outros eufemismos que vocês acham interessante usar porque acham que é muito pesado dizer que uma pessoa é de fato NEGRA. Jay Z também, mas isso ninguém discute porque a negritude dele é indisfarçável.
Logo, Blue Ivy nasceu com cabelos crespos... cabelos esses que crescem pra cima e acreditem não há nada de monstruoso nisso.

Querer submeter um bebê a padrões estéticos eurocêntricos é querer que ela esconda suas origens, porque essas são aparentemente não convencionais e não encontro outra palavra pra definir que não seja racismo.

Uma amiga em um post do seu Blog Reapresentando Cores usou um termo interessante: "Ativismo de Cabelo". Muita gente pode não entender a necessidade de estarmos o tempo todo afirmando que cabelos crespos não necessitam ser "domados", não estamos carregando nenhum animal raivoso em nossas cabeças (às vezes eu queria que ele fosse pra abocanhar pessoas que acham certo criar uma petição online para pedir que uma criança de 2 anos penteie seu cabelo). Falaram para "pentear para baixo", "prender com um arquinho". Bom, vou contar pra vocês a realidade de uma criança de cabelo crespo, vou contar a realidade que graças a Deus não é a da Blue, caso fosse não causaria tanto incômodo. Nossas mães na tentativa de deixar com a aparência que determinaram como "boa", penteavam nossos cabelos muitas vezes a seco, causando uma tremenda dor, desembaraçavam e prendiam todo pra trás, nossos olhos chegavam a ficar puxados. Mas okay, nosso crespo socialmente inaceitável, estava domado, era o que esperavam da gente até que chegasse uma idade onde finalmente poderíamos fazer usos de químicas altamente corrosivas, ferros quentes e assim tentassem embranquecer nossos traços.

Recebo mensagens de amigas professoras falando que cada vez mais cedo percebem que as mães buscam procedimentos químicos para alisarem ou relaxarem os cabelos de suas crianças. Eu acho um ato criminoso, porque além de fazer mal a saúde, faz mal a identidade. Essa criança vai crescer entendendo que alisar é o procedimento padrão, que é tão natural quanto se alimentar. Por isso muita gente não considera racismo falar de cabelo, diz que é questão de gosto. Não é estranho ser senso comum considerar justamente um determinado tipo de cabelo como ruim? Não é estranho que o bom seja aquilo que seja mais próximo de uma característica branca?

Sabemos que a população negra enfrentam vários outros desafios sociais, que muitos consideram essa questão de cabelo como secundária ou como algo que nem há necessidade de ser abordado. Mas o corpo é aquilo que somos e essa relação precisa ser bem desenvolvida. O racismo desumaniza, nos faz criar rejeição pelo nosso próprio corpo. Os padrões de beleza cerceiam a liberdade a ponto de atingir uma criança que não deve ter preocupação com cabelo ou qualquer outra coisa. Que mais mães tenham consciência de que o cabelo tem forte significado na construção da identidade da pessoa negra. Que ninguém mais tenha que se envergonhar pelo seu corpo livre de padrões.

E sim, seremos ativistas de cabelo enquanto for necessário.


Bruna de Paula Pereira

domingo, 11 de maio de 2014

Manas

Irmão, ninguém aqui tá te pedindo permissão pra nada não
A gente vai passando
Umas desfilando, outras marchando e outras rebolando
Se não gostar segue pra outra esquina
Porque aqui quem manda são as meninas
Aqui não tem ficha de presença
Não precisamos explicar nossas referências
Você quer saber qual foi minha leitura?
Para com esse papo de academicista, cabeça dura
Reivindicar é direito da mulherada
Militância não é só pra mina letrada
Não fique aí esbravejando
Gritando: Não sou machista!
Pra falar do teu machismo
Posso até fazer uma lista
Você diz ser companheiro
Do meu lado diz estar
Mas na hora da quebrada
Quer me ensinar a militar
Não me olha com essa cara
Com essa pose de machão
Se quiser vir pro meu lado
Seja um machista em desconstrução
Mesmo assim eu vou ficar de pé atrás com você
Mas já vai contar muito se você quiser aprender
Vou seguindo e vou cantando
Escrevendo pras irmãs
Gastar energia emponderando
Sororizando


Bruna de Paula Pereira

Sobre Lupita, mulher negra e representatividade

Eu sou mulher
Eu sou negra
Negra nos traços, no cabelo

E não quero que branco nenhum fale da minha condição
Eu não quero que branco nenhum fale por mim
Não fala das minhas irmãs
Não me diga que o racismo é culpa minha por que eu falo dele
Você não tem o direito
Desconstrua seu racismo
Falar sobre ele, deixa com a gente
Para com esse papo de igualdade
Você não tem que me respeitar porque me acha igual
Eu sou diferente
Aceita
Respeita
Eu tô cansada de vocês querendo me silenciar
Só que vocês se fodem porque eu descobri que tenho voz
Se fodem porque eu reconheço opressão disfarçada de apoio
Seu lugar na minha luta é aprendendo comigo
Não sobe meu palanque, desce daí




Bruna de Paula Pereira

domingo, 6 de abril de 2014

Eu escolhi encrespar

Os ferros não aprisionaram meu corpo
Mas foram utilizados para alisar minhas raízes
Raízes desconhecidas, desconsideradas
Isso afetou minha auto estima durante anos
Eu não alcançava nunca a imagem desejada
A imagem da mulher que eu via no outdoor
Seus cabelos eram lisos, compridos e esvoaçantes
Quando eu dormia durante a noite, conseguia me ver em meus sonhos
Era eu, mas minha cor era clara, meus cabelos eram compridos, eu trabalhava em empresas como as moças nas novelas.
Não tinha negra na empresa da empresa, não senhor
A negra estava servindo uísque pro doutor
Nas rodinhas na escola, todo mundo escolhia a princesa que se identificava, minhas coleguinhas diziam que não tinha princesa da minha cor, que eu parecia mais com a bruxa da Pequena sereia
O tempo passou, e eu alisando...anos... alisaaando...
Ficava feliz em véspera de festa, eu iria ao salão, a escova ficava muito mais bonita lá
Triste era ter que lavar o cabelo
E assim fui seguindo, não entendia por que não me sentia parte de mim, nem de ninguém
Meu cabelo nunca seria comprido, de 6 em 6 meses eu tinha cortes químicos, ele nunca seria liso
Minhas tias falavam "coloca implante, é muito mais prático"
Mas eu imaginava: e no dia que faltar dinheiro pra manutenção? Não vou querer sair na rua...
Eu não estaria sendo eu, eu não seria ninguém
Um dia a raiz fofa e alta foi o prenuncio de um novo tempo
No corte da tesoura, senti uma força tomar conta de mim
Eu era Sansão ao contrário

Meu pescoço se ergueu, minha vida se encheu de cor
Passei a enxergar minha cor
No encontro com minhas iguais, me vi cercada de espelhos
Encontrei gente que estava na mesma estrada que a minha e eu não as tinha reconhecido
A nossa história foi marcada por silêncio e invisibilidade
Mas nós estamos aqui, pra contar a história para quem quiser ouvir
Em cada contorno, em cada fio, uma palavra, uma página
Meu corpo carrega um conto que ninguém contou
Tá escrito aqui a trajetória de sucesso em busca da identidade
Me amo em cada traço
Faço da minha vida resistência e poesia
Me percebo em mim, me percebo nas minhas irmãs e estamos aqui pela força da coletividade
Eu escolhi encrespar
Por: Bruna de Paula Pereira

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Eu mulher, resisto



Eu mulher,
Eu mulher nascida
Eu mulher criada
Eu mulher crescida
Eu mulher menstruando em silêncio
Eu mulher tendo nojo de menstruar
Eu na classe média tendo acesso a absorvente
Eu mendiga na rua, sem higiene para menstruar
Eu mulher nas dores da depilação
Eu mulher ensinada que é normal sofrer
Eu mulher, tentando ser beleza padrão
Eu mulher, sem poder ser feminina na prisão

Eu mulher atacada por lutar
Eu mulher apanhando sem denunciar
Eu mulher sofrendo calada
Eu mulher sendo julgada
Eu mulher procurando programa na esquina
Eu mulher vadia
Eu mulher dona do meu corpo,
dona do meu sexo
Eu mulher negra, obrigada a minhas raízes alisar
Eu mulher, que decidi encrespar
Eu ao meu pai submissa,
Eu migrando da submissão ao pai, para o marido
Eu mulher nos bancos da universidade
Eu mulher em busca de igualdade
Eu mulher mãe, com filhos pra criar

Eu mulher doméstica, cuidando da madame, sem poder da minha casa cuidar
Eu mulher, dona da minha subjetividade
Eu mulher com a sociedade a me culpar
Eu mulher tendo meu corpo violado sem gritar
Eu mulher me justificando por ter sido violentada,
Eu mulher, por estar de short, sou acusada
Eu mulher sem medo às 4 da manhã indo ao emprego
Eu mulher e o não reconhecimento das minhas potencialidades
Eu mulher, me exigem sensualidade

Eu mulher que dou no primeiro encontro
Eu mulher que escolhi esperar
Eu mulher chorando de saudade
Eu mulher almejando liberdade
Eu mulher querendo união
Entre minhas iguais buscando compreensão

Eu mulher ainda que não biológica
Eu transsexual, sou mulher
Eu mulher destruindo o patriarcado
Eu mulher lutando para que o machismo seja coisa do passado
Eu mulher quando sobrevivo, resisto
Eu mulher, sou pedaço de você
Você mulher, pedaço de mim
No dia que você perde, eu perco
A sua dor, é minha
O que pensam sobre você
Pensam sobre mim
Eu mulher e uma reflexão:
É só na solidariedade entre as iguais que alcançaremos igualdade, na nossa desunião, se fortalece o patriarcado. Não legitime em tempo algum que a mulher não merece valor e respeito, não interessa o que ela tenha feito. E se o que ela fez for crime, ela deve ser julgada perante a justiça e cumprir sua pena.



Bruna de Paula Pereira.

Agradecimentos especiais as lindas que cederam suas fotos, na ordem: Patty Capetyne, Fernanda Montanaro, Fabiane Dias, Rosângela José e Camila Rodrigues.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Crespxs do mundo, uni-vos

Participo desde outubro de 2012 dos grupos de cacheadas no facebook, vejo que diariamente o crescimento de meninas que resolvem se libertar das químicas e recorrem a esses grupos como forma de buscar apoio, inspiração entre as iguais. Nesses grupos, vemos muitas meninas conscientes politicamente e que transformam esse ato de assumir o cabelo em uma forma de fazer movimento, mas nos grupos também existem as meninas que defendem o discurso que "o racismo é coisa da sua cabeça", dizem que as companheiras "vêem racismo em tudo", "tudo hoje em dia é racismo". Pensando nessas coisas que cansamos de ler no dia a dia dos grupos, eu acabei escrevendo essa reflexão e compartilhando no grupo.

SER NEGRA, CRESPA, CACHEADA E DECIDIR SE ASSUMIR, É UM ATO POLÍTICO. SE POSICIONEM CONTRA O PRECONCEITO! ELE É REAL, ELE NÃO É UM CONTO DE FADAS!
O preconceito, o racismo não é imaginário, ele não é feitiço "só pega em quem acredita", ele atinge a todos, quem acredita e quem não acredita.

O racismo é uma estrutura, não é apenas um ato. Os atos de racismo são apenas maneiras de manutenção dessa relação de poder. 
O racismo está em dados estatísticos, está nas celas de prisão, no número de jovens negros mortos, no número de crianças negras que se desenham brancas, na ausência dxs negrxs na mídia.
Um ato de racismo não é determinado apenas pela sua forma gritante, quando alguém te chama pejorativamente de negrinha ou de macaca, quando alguém diz que preto fede, quando alguém diz que seu cabelo é ruim. O racismo está presente nas formas sutis de discriminação, nas piadas de mal gosto, no oprimido que ao propagar e rir dessas piadas apoiam o opressor. 




O racismo tá em mim, tá em você, fomos criados em uma sociedade racista e que nos fez acreditar no mito da democracia racial, nos fizeram acreditar que todos somos tratados como iguais. O racismo não é coisa da minha cabeça, eu já o senti na pele, fingir que eu estava vendo coisa onde não tinha, só permitiu que ele se propagasse. No momento em que eu me calo, eu apoio a opressão. 
Eu escolhi me posicionar, não vou mais me calar diante das opressões aos cidadãos que são minorias em direitos sociais. Se você me acha louca, vá ler as estatísticas, se informe, estude e lute, por que o fato de não ter acontecido com você, não significa que outros não sofram com isso. Estejam atentas as formas sutis que o racismo se apresenta para você e você não reconhece.

Meu nome é Bruna de Paula Pereira, sou negra, professora, futura pedagoga, feminista e luto pela igualdade social, uma igualdade que promova direitos iguais a partir da compreensão das diferenças. Feliz 2014!

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Projeto Sarará Crioulo - Sim, negrx sou!

Oi, gente!

O dia da consciência negra além de ser um dia marcado pelas comemorações em homenagem a Zumbi, deve ser um dia de debate e reflexão sobre as questões desse grupo étnico racial. Sabemos que existem pessoas que gostariam que nós nos desclassificássemos , que dizem que nós devemos apenas nos enxergar como humanos e ponto final. Eu acho ótimo que os humanos se tratem como irmãos, se tratem como humanos, mas nunca, em tempo algum acho que isso deve significar que eu deva negar a minha cor, dizer que não sou negra, que sou apenas humana. Eu devo ter consciência da história que essa cor carrega, eu devo ter consciência de que minha cor implica da ideia que o mundo faz de mim, da ideia que eu faço de mim. Por isso, é importante sim afirmar para sociedade que na hora de nos segregar não nos vê como humanos, que sim, negrxs somos! Quantas pessoas já foram questionadas por se auto declararem negras? Quantas já ouviram alguns dizerem em tom de compensação "Ah, mas você é moreninha/parda/amarelinha". O projeto sarará crioulo dessa semana, traz os diversos tons e uma única certeza: Sim, negrx somos!


Maria Elizabeth

Tâmara Monteiro do canal Recacheando

Aline Silva

Talita Mustaine

Blinia Messias

Eva Lima escreve na página Pequena Eva- By Eva Lima no facebook  


Lucas Soares e a plaquinha mais linda

Geisa Ponce e Rosivaldo Ferreira

Daniel Vieira - futuro pedagogo

Geisa Ponce







“Desde que era impossível livrar-me de um complexo inato, decidi me afirmar como NEGRO. Desde que o outro hesitava em me reconhecer, só havia uma solução: fazer-me reconhecer” Fanon, Franz - Peles Negras, Máscaras Brancas. 


B.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

365 dias de consciência humana?

As professoras dizerem na sala de aula que "todos somos iguais" e não combater a situação, nunca me livrou de sofrer racismo.

Dia da consciência negra, sim! Sua consciência humana nunca me fez saber da existência de Solano Trindade na escola, nunca me fez aprender em uma aula que o negro resistiu, nunca me ensinou que princesa Isabel não era a redentora. Por falar nisso, por que o dia da Abolição não incomoda tanto quanto o dia da consciência negra? Será por que a personagem principal do acontecimento histórico era uma princesa branca? Sua consciência humana não fez os personagens históricos negros aparecerem no meu livro de história, sua consciência humana não tirou esse grupo da posição de subalternidade. Sua consciência humana não levou os negros recém saídos das casas grandes para o mercado de trabalho, não livrou os meus ancestrais de subirem para os morros por falta de opção, sua consciência humana não livra meninos pretos de serem mortos por estarem em um beco escuro, não livra qualquer negro de ser suspeito, não me livra de olharem estranho pro meu cabelo livre de processo químico.




 Sua consciência humana não livra os cotistas negros de ouvir de gente sem informação, sem conhecimento histórico dizer que cotas são ações racistas. Sua consciência humana não me livra, não me encanta, não me serve de nada. Sua consciência humana serve pra abafar o caso, pra não ver preto falando com propriedade sobre sua própria condição. Sua consciência humana serve pra alienar outros pretos que se negam a se reconhecer como tal, que não percebem que sua negritude os exclui de alguns espaços, que seus traços ainda são um empecilho. Sua consciência humana serve pra você, que fica incomodado quando você não é a estrela da festa. Sua consciência humana é por que você não quer reconhecer sua posição de privilegiado e é melhor desmobilizar do que unir forças, mesmo quando o assunto não é sobre você.
Eu quero que se lasque sua consciência humana. Eu quero dia do preto, dia pobre, do cigano,do favelado, do viado, da sapatão,da travesti e do nordestino. Quero dia de gente que ainda é invisível por uma sociedade que prefere não falar sobre o assunto, que prefere dizer que todos somos iguais pra não ter que olhar pros direitos de quem ainda não tem tantos direitos assim.

Sua consciência humana, me dá asco.


Bruna de Paula Pereira.

domingo, 27 de outubro de 2013

Projeto Sarará Crioulo- Meu cabelo não se define


Olá, queridos!
Toda semana aqui no blog, seremos presenteados com uma postagem do Projeto Sarará Crioulo. Meus sararás e crioulos mais lindos do facebook toda semana irão me mandar fotos com um tema determinado.O tema da semana é: Meu cabelo não se define. O projeto Sarará Crioulo tem a intenção de mostrar aquela gente linda que não está estampada nas capas de revistas. Mas como aqui no nosso blog, o conteúdo "é nós",  vamos apresentar sem mais delongas esse povo lindo que se encontra no grupo: "Sarará Crioulo" no facebook.

Tema: Meu cabelo não se define

Poderíamos aqui ficar definindo o que ele significa ou correndo atrás de definição de cachos em cabelos tão singulares. Mas o nosso crespo, não se define.


Paula Miguel

"Sou herdeira de Zumbi, nasci no meio dos cafezais ou dentro de algum navio negreiro, ou até mesmo dentro de uma senzala. Talvez seja filha de algum senhor de engenho, ou de um ser humano acorrentado cheio de marcas de chibatadas pelo corpo. Não trago marcas físicas da escravidão a não ser minha raça, minha herança. Em meu corpo trago muito mais do que uma sensualidade arraigada ao negro, trago meus cabelos crespos que contam uma grande história, que são também um movimento político contra uma sociedade que sempre me escravizou com seus produtos e seus modismos, trago passos de um povo que lutou e sustentou um país, trago minha negritude, negritude, negritude!!!"







Raíssa Campos

"Então, gente, meu cabelo é 4-alguma coisa (desisti de tentar classificar rs) e tem uma enooooorme dificuldade em definir, embora eu já tenha tentado praticamente todas as técnicas destinadas a esse fim. Sim, eu hidrato ele o suficiente. Não, ele não está ressecado. A maior parte das pessoas liga a falta de definição à falta de hidratação, mas acho que o que temos que aceitar é que cada cabelo e único e nem sempre todos formam cachos "perfeitos". O que importa é termos cabelos saudáveis, porque isso sim define a beleza dos fios, e não só a definição. Espero que eu mesma consiga aceitar isso e parar de brigar com meu crespinho com tanta frequência. hahaTudo de crespo pra todos, bjão. :D"



Rosangela Jose 

"Voltar a usar meu cabelo natural me trouxe uma consciência maior sobre mim, sem contar
a beleza que é, eu amo meu cabelo."





Tâmara Monteiro

"Precisei me perder por completo pra me fazer inteira de uma vez por todas. Hoje não sou uma desconhecida no espelho. Não mais! Hoje todas as curvas do meu pensamento me colorem por fora e por dentro. Pintam em letras bem grandes: sou livre!"



Hosana Netto


"Meu cabelo me representa... Representa o que eu sou, o que eu vivo e o que eu defendo. 


6 meses em transição e 9 meses de BC "


Elói Ferreira

 "Minha moldura natural sua expressão às vezes é fora do normal."

João Pedro

"Eu encontrei minha identidade, ter esse cabelo e essa pele escura é um orgulho pra mim. Eu amo meu crespo."



Bruna de Paula

 "Não fui ensinada a gostar do que eu via no espelho. Cheguei até aqui através de uma forte reflexão sobre minha identidade e hoje me sinto feliz por servir de exemplo pra outras meninas e mulheres pretas"


Lucas Domingues

""Negro é tudo de bom! A pele é linda, os dentes são lindos, são fortes... Mas o cabelo.. É a unica coisa que tem de ruim!"
Isso foi o que eu escutei de uma ex-colega de trabalho, logo retruquei ela e disse que ela estava equivocada, pois meu cabelo não é ruim. Ela ficou sem jeito de eu ter dito isso, e ela tentou se explicar dizendo "não é eu que digo, várias 'pessoas de cor'" que eu conheço reclamam disso. Tem tudo perfeito, menos o cabelo." 
Esse tipo de colocação, é que me faz seguir cuidando e deixando meu cabelo crescer. A sociedade estereotipada que vivemos diz que negros tem usar cabelo raspado e negras cabelo alisado. Com as pessoas que converso, colegas e amigos da faculdade, tento esclarecer e deixar o máximo claro o quando me importo com o meu cabelo. Aos poucos estou definindo uma personalidade e me fazendo ser aceito. Hoje posso falar com certeza de que o meu cabelo tem muitos admiradores."






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Beijos!

B.



quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Um aviso: A moça ao lado não é sua inimiga



Moça, embora toda vida tenham feito você acreditar. A moça ao lado não é sua inimiga. 
Ela também teve um dia difícil
Ela também vive as mesmas inseguranças que você
Ela também não se acha bonita todos os dias
Vocês não tem motivos para disputar com ela
Sim, a sociedade fez você acreditar que vocês tem que disputar
Disputar o quê?
Nós estamos no mesmo barco
Todos os dias lutando por afirmação
Nós não somos inimigas
Nós precisamos sempre, umas das outras
Te fizeram acreditar que "muita mulher junta, dá problema mesmo"
Raciocinando dessa forma, você não precisou exercitar alteridade
Não precisou praticar compreensão
Você passou a achar que toda mulher, é uma inimiga em potencial
Não acredite nisso, moça
Nós passamos pelas mesmas coisas
E podemos passar muito melhor por elas, se estivermos juntas
Não acredite nesse fantasma da mulher inimiga
Isso é invenção da estrutura patriarcal pra nos dividir, desunir e desmobilizar.

Avancemos, moças!

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Novidades!








Olá, gente! Tudo bem com vocês? Então, estou aqui para anunciar que o nosso querido blog agora também será um canal no youtube. Vamos continuar trocando ideias. E o que vai ter? Clica aí no vídeo e confere a apresentação do canal. 






Beijos, B.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Fábulas da realidade



Existiu aqui uma menina magrela cheia de medos
Existiu uma menina que nem sabia que existia
Que não se entendia 
Sabia que preta era sua cor
Mas não sabia que fazia parte de um processo embranquecedor 
Que lhe fez durante 20 anos achar comum querer ter um cabelo que não o seu
O que mais esse processo poderia lhe sugerir? Afinar o nariz com plástica? Passar cremes clareadores de pele e bloqueadores de melanina?
Não me lembro muito bem quando foi, mas um dia a menina resolveu dizer não
E foi incomodando o mundo mostrando uma imagem que não era agradável, tinham raízes de história sobressaindo a retidão processada a base de hidróxido de sódio...
Ela resistiu.
Um belo dia resolveu aniquilar aquela extensão que não representava o que estava vindo de dentro
O grito de suas raízes, de sua história
Naquele dia se iniciou um novo ciclo em sua vida
Um ciclo de segurança, de questionamento e de expressão de opinião
Ninguém mais via a menina apenas como uma magrela com medo de tudo
Ela tinha algo a mais, as pessoas paravam pra ouvir...
A menina tinha medos, mas agora falava deles abertamente, tinha resgatado tudo de si que estava escondido dentro dela própria. Tinha adquirido força e beleza, se sentia uma mulher.
Hoje a menina vive seus dias a desfrutar dos prazeres que é ser ela mesma em tempo integral.

Não se trata apenas de cabelo. Quando há reflexão, tudo em você muda. O mundo a sua volta muda. Experimente!


@bruna_depaulla

domingo, 4 de agosto de 2013

Não corra atrás de homem

"Não corra atrás de homem,isso é feio"

Isso mesmo, esperem que o pai de vocês escolha um bom pretendente que pague um bom dote por você.
Não sei vocês, mas quando ouço alguém dizer isso, me sinto vivendo em uma civilização medieval.

Correndo desse tipo de opinião.


Deveríamos nós apenas andarmos penteadas, perfumadas e maquiadas a espera de um olhar, de alguém que venha e diga: "EU ESCOLHO VOCÊ!"? E sendo assim, se contentar, afinal, você não pode escolher, é melhor não correr o risco de acabar não sendo escolhida novamente.

"Não corra atrás de homem", poderia ser uma mensagem sobre ter auto-estima e não rastejar atrás de alguém que não tem o menor interesse em você. Mas com o "isso é feio" no complemento da frase, me pareceu apenas uma mensagem de: "controle sua xoxota, a sociedade não pode desconfiar que você tem desejos, que tem iniciativa, que não precisa esperar ser escolhida."

Devemos lutar contra essa cultura que quer nos rebaixar a bibelôs, que ficam lindos e imóveis, sem voz e sem vez a espera do dia que a sorte resolver mudar a nosso favor. Que tomar ou não iniciativa seja apenas uma opção sua e não uma tentativa de corresponder as expectativas de uma sociedade que não suporta ver que existem mulheres que estão simplesmente cagando pra todas essas regras cagadas.




Espero que um dia as princesistas experimentem só um pouquinho da sensação do que é fazer algo que tem vontade, duvido que vão querer ter outra vida. Porque tem gente que só julga o comportamento do outro, por falta de coragem de fazer o mesmo.



Bruna de Paula Pereira.

@bruna_depaulla

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Dia 25/07: Dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha





Eu nasci negra, eu sei que isso é um pouco óbvio. Também nasci mulher, creio que vocês também saibam disso.
O que vocês não sabem é que antes eu vivia todas as implicações de ser mulher e negra na sociedade, mas não tinha compreensão real do que isso significava. 
Um dia eu descobri que pelo fato de eu ser mulher, a sociedade se achava no direito de escolher por mim, escolher como eu devo me vestir, com quem eu devo andar, como devo me comportar, quando devo me casar...
Descobri que sendo mulher e negra, eu teria mais dificuldades para arrumar emprego, que teria uma vida inteira de preocupação com os homens negros e honestos da minha família, viver a cada dia o medo de perdê-los porque a sociedade acha que eles são um risco apenas pela cor que eles tem, que existem pessoas que acham que minhas demandas são pedidos de privilégios e não de direitos que me foram anulados desde o dia em que eu nasci.
Descobri que se eu for bonita, eu vou ser sempre tratada como exceção, com comentários do tipo: Nossa, você é uma negra muito bonita.
Descobri também que o meu cabelo assumidamente crespo pra alguns vai me colocar na posição de exótica, étnica ou pessoa que está querendo aderir a uma moda. Descobri que se você fizer parte de algum grupo que é minoria em direitos sociais, você vai precisar estudar e ler muito pra responder pra algumas pessoas porque sua luta é uma luta contínua.
Pra algumas pessoas, a luta da mulher é sem sentido: "Vocês já trabalham fora e votam, querem mais o que?"
Pra outros a luta do negro não faz sentido também, segundo eles, a abolição nos colocou em pé de igualdade com o homem branco.
A luta da mulher negra não deve ser invisibilizada, nós ainda temos muito o que transformar.

A vida é um processo contínuo de militância, nunca se deve parar, nunca...

Por: Bruna de Paula


"Não fomos vencidas pela anulação social, sobrevivemos à ausência na novela e no comercial ,
O sistema pode até me transformar em empregada, mas não pode me fazer raciocinar como criada;
Enquanto mulheres convencionais lutam contra o machismo, as negras duelam para vencer o machismo, o preconceito e o racismo;
Lutam para reverter o processo de aniquilação que encarceram afro-descendentes em cubículos na prisão;
Não existe a Lei Maria da Penha que nos proteja da violência de nos submeter aos cargos de limpeza; " Yzálu


sexta-feira, 5 de julho de 2013

Celebração de raiz

Canto hoje a beleza
A beleza que foi seqüestrada
A beleza que foi trazida
A beleza que lutou
Que resistiu
A beleza que construiu
Canto hoje a beleza que eu não conhecia
Das raízes que eu escondia
Da identidade que eu não compreendia
Canto hoje essa beleza
Canto alto
Canto com orgulho e reconheço
Canto a beleza de quem sofreu
Canto a beleza de quem chorou
Canto a beleza de quem sonhou
Canto a beleza de quem conquistou
Canto alto essa raiz
Canto alto essa memória
Canto alto minha história
Pra que vejam o que sou
Bato forte o pé no chão
Rodo e canto com amor
A beleza da história
É essência do que sou.





Bruna de Paula Pereira

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Bonde das Cacheadas

Então, tem uma galera que sabe que eu sou ativista do movimento natural hair, como participo de vários grupos na internet de meninas que vestem a mesma camisa, acabo ficando meio pirada com todas as informações e dicas. Como minha mente nunca descansa, hoje enquanto eu passava a hidratação no cabelo me veio um: enluvaaando, enluvaaando... Na cabeça e aí eu resolvi fazer essa paródia que em breve terá mp3 e vídeo (então, nem pense em copiar a composição da coleguinha,viu?). Sempre bom fazer uma ameaça, já que a internet é terra de ninguém. hahaha



O bonde das cacheadas é a nova sensação
E pra, e pra começar bepantol na hidratação
Faz a hidratação, vaaai, faz a hidratação vaai

A pedido das crespinhas ela vem umectando
Vem manteiga e óleo de coco u-u-umectando

Fazendo um aquecimento
Os fios vão se encorpando
Cacheadas passam creme
Enluvaaando, enluvaaando

As crespas e cacheadas
Vem mostrando o jeito novo
Bota o cabelo pro alto
Joga o black pro povo
Joga o black pro povo



Bruna de Paula Pereira

@bruna_depaulla

domingo, 7 de abril de 2013

Rotina de cuidados: Cuidando do seu cabelo em casa.

Olá, algumas pessoas se sentem meio perdidas na hora de saber o que fazer para cuidar do cabelo em casa,quantas vezes por semana, como montar um cronograma de cuidado e quais produtos comprar. Por isso resolvi fazer essa postagem pra dar um help básico para o pessoal.

Para começar, precisamos entender algumas coisinhas:

Hidratação: reposição de água.

Os cremes a base de plantas e frutas, são os apropriados para essa fase do cronograma:  jaborandi, aloe vera, mix de frutas...

Nutrição: reposição de nutrientes

Para essa fase o indicado são cremes a base de óleos e manteigas ou óleos e manteigas vegetais: manteiga de karité, manteiga de cupuaçu, óleo de coco, abacate...

Reconstrução: Consiste em reestruturar o fio repondo aqueles componentes que lhes são naturais, como colágeno, queratina...

Para essa fase o indicado são cremes que tenham na sua base queratina, arginina, colágeno...

"Entendi, Bruna... mas como vou organizar isso agora?"
Então crianças, eu costumava seguir essa rotina aqui:


Mas depois que eu comecei a entender mais o meu cabelo, tenho diminuído as nutrições da última semana, meu cabelo reage melhor as hidratações do que as nutrições.

"Mas, Bruna, eu não tenho tempo, tenho trabalho, faculdade, estágio, missa, culto, filhos, papagaio, viagens inter galáticas, não tenho tempo pra isso, não..."

Bom, na verdade nem eu. Foi aí que eu lendo atrás do pote das máscaras, eu percebi que muitas são aquelas hidratações de 5 minutos, o que foi de fato uma salvação. Quando estou sem tempo faço o processo todo no banho e vejo muito mais resultado do que via quando deixava a hidratação por 40 minutos na cabeça.

"E agora, shampoo, condicionador, máscara, que cê faz, hein, Bruna?"

Eu faço o seguinte: Lavo meu cabelo com uma máscara anti resíduos ou com um shampoo sem sulfato, depois com a cabeça limpa, faço a hidratação (ou nutrição ou reconstrução), e depois lavo com o condicionador.

Ps. A máscara anti resíduos só deve ser usada a cada 15 dias por quem tem cabelos ressecados.


Para secar, eu dou preferência por uma camisa de algodão pra tirar o excesso e deixo secar naturalmente. O atrito das toalhas de banho convencionais com os fios são ocasionadores de frizz .

O blá blá blá tá cansativo, gentem? Olha, na prática é bem mais simples, escrito parece bicho de 7 cabeças, mas não é. Que tal um pouco de ilustração pra descansar um pouco da leitura cansativa?


Eu uso como máscara de hidratação esse creme da kanechon de abacate.




Meu crespinho ama esse creme, às vezes misturo uma colher de açúcar, sinto que o cabelo fica com uma definição bacana.



Para nutrição, no momento não estou usando uma máscara específica, tenho feito umectação com mel e óleo de coco.  Mas vou indicar essa máscara da haskel.

                                                           



E finalmente reconstrução:



Minha máscara anti resíduos (que eu uso para lavar o cabelo de 15 em 15 dias) é essa aqui:

O cheirinho de bala de hortelã é apaixonante... 



E o condicionador lindo, fofo, cheiroso e que eu amo tanto que uso até como leave in é esse (que infelizmente sairá de linha =/ )

Quem achar e quiser mandar de presente para humilde blogueira que vos escreve,tô aceitando...



Às vezes eu uso o yamasterol como condicionador.

Yasmasterol pra condicionar, pra finalizar, pra borrifar... só não serve pra comer!


Todos os produtos listados não contém petrolatum, parafina líquida ou óleo mineral em sua composição. Esses componentes sobrecarregam os fios e a longo prazo podem não ser saudáveis ao cabelo. Eu particularmente prefiro evitá-los, mas tem muitas meninas que usam cremes com esses componentes e não tem do reclamar.

Acho que meus cuidadinhos estão surtindo um bom efeito para o crescimento saudável do meu crespo amado.


Ps: Todas essas informações eu fui adquirindo em pesquisas em grupos sobre cabelos cacheados e crespos, blogs, vídeos do youtube e experiências pessoais.



Espero poder ter ajudado do vocês.

Fiquem com Deus, beijos da Bru.