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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Projeto Sarará Crioulo - Sim, negrx sou!

Oi, gente!

O dia da consciência negra além de ser um dia marcado pelas comemorações em homenagem a Zumbi, deve ser um dia de debate e reflexão sobre as questões desse grupo étnico racial. Sabemos que existem pessoas que gostariam que nós nos desclassificássemos , que dizem que nós devemos apenas nos enxergar como humanos e ponto final. Eu acho ótimo que os humanos se tratem como irmãos, se tratem como humanos, mas nunca, em tempo algum acho que isso deve significar que eu deva negar a minha cor, dizer que não sou negra, que sou apenas humana. Eu devo ter consciência da história que essa cor carrega, eu devo ter consciência de que minha cor implica da ideia que o mundo faz de mim, da ideia que eu faço de mim. Por isso, é importante sim afirmar para sociedade que na hora de nos segregar não nos vê como humanos, que sim, negrxs somos! Quantas pessoas já foram questionadas por se auto declararem negras? Quantas já ouviram alguns dizerem em tom de compensação "Ah, mas você é moreninha/parda/amarelinha". O projeto sarará crioulo dessa semana, traz os diversos tons e uma única certeza: Sim, negrx somos!


Maria Elizabeth

Tâmara Monteiro do canal Recacheando

Aline Silva

Talita Mustaine

Blinia Messias

Eva Lima escreve na página Pequena Eva- By Eva Lima no facebook  


Lucas Soares e a plaquinha mais linda

Geisa Ponce e Rosivaldo Ferreira

Daniel Vieira - futuro pedagogo

Geisa Ponce







“Desde que era impossível livrar-me de um complexo inato, decidi me afirmar como NEGRO. Desde que o outro hesitava em me reconhecer, só havia uma solução: fazer-me reconhecer” Fanon, Franz - Peles Negras, Máscaras Brancas. 


B.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

365 dias de consciência humana?

As professoras dizerem na sala de aula que "todos somos iguais" e não combater a situação, nunca me livrou de sofrer racismo.

Dia da consciência negra, sim! Sua consciência humana nunca me fez saber da existência de Solano Trindade na escola, nunca me fez aprender em uma aula que o negro resistiu, nunca me ensinou que princesa Isabel não era a redentora. Por falar nisso, por que o dia da Abolição não incomoda tanto quanto o dia da consciência negra? Será por que a personagem principal do acontecimento histórico era uma princesa branca? Sua consciência humana não fez os personagens históricos negros aparecerem no meu livro de história, sua consciência humana não tirou esse grupo da posição de subalternidade. Sua consciência humana não levou os negros recém saídos das casas grandes para o mercado de trabalho, não livrou os meus ancestrais de subirem para os morros por falta de opção, sua consciência humana não livra meninos pretos de serem mortos por estarem em um beco escuro, não livra qualquer negro de ser suspeito, não me livra de olharem estranho pro meu cabelo livre de processo químico.




 Sua consciência humana não livra os cotistas negros de ouvir de gente sem informação, sem conhecimento histórico dizer que cotas são ações racistas. Sua consciência humana não me livra, não me encanta, não me serve de nada. Sua consciência humana serve pra abafar o caso, pra não ver preto falando com propriedade sobre sua própria condição. Sua consciência humana serve pra alienar outros pretos que se negam a se reconhecer como tal, que não percebem que sua negritude os exclui de alguns espaços, que seus traços ainda são um empecilho. Sua consciência humana serve pra você, que fica incomodado quando você não é a estrela da festa. Sua consciência humana é por que você não quer reconhecer sua posição de privilegiado e é melhor desmobilizar do que unir forças, mesmo quando o assunto não é sobre você.
Eu quero que se lasque sua consciência humana. Eu quero dia do preto, dia pobre, do cigano,do favelado, do viado, da sapatão,da travesti e do nordestino. Quero dia de gente que ainda é invisível por uma sociedade que prefere não falar sobre o assunto, que prefere dizer que todos somos iguais pra não ter que olhar pros direitos de quem ainda não tem tantos direitos assim.

Sua consciência humana, me dá asco.


Bruna de Paula Pereira.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Uma história que ninguém nunca contou.


Eu nem sei por onde começar, mas em 2010 eu comecei a usar trança, estilo nagô e me apaixonei... 



Depois disso, toda vez que eu tirava as tranças e fazia chapinha, eu não me sentia eu, eu me via como mais uma negra de cabelo alisado na multidão e foi aí que eu resolvi fazer permanente pra ter cabelos cacheados. 
Tinha dias que o cabelo permanentado cacheava bem, mas isso aconteceu pouquíssimas vezes.

Fazia, ele cacheava a base de muito amassamento com creme de pentear, aquela ainda não era eu, então voltava sempre pras tranças (que eu amo). 
Até que fui apresentada a um grupo do facebook chamado: Amigas Cacheadas pela minha amiga Hosana Netto, e fiquei esperando que lá eu fosse arrumar uma solução definitiva que iria cachear meus cabelos, química, chá, remédio ou macumba, algo iria me ajudar. Quando cheguei lá eu vi que era um grupo que incentivava a libertação das químicas transformadoras e aí que eu tomei a decisão de entrar em transição... Desde novembro eu vinha lutando contra as duas texturas que estavam no meu cabelo, a parte relaxada e a parte natural crescida pedindo pra viver. 
Aqui a raiz já tinha crescido e eu estava quase ficando com uma tendinite de tanto amassar a parte alisada


Desde então muita gente me questionou, se eu não iria mais usar químicas e eu estava decidida, tinha aprendido a cuidar e amar o meu cabelo crespo.
Diante de toda a caminhada eu percebi que isso não era uma decisão pessoal, era uma decisão política, tinha a ver com a falta de reconhecimento étnico, eu uso químicas desde os 6 anos de idade, não sabia como era meu cabelo natural, nunca me foi dada essa alternativa, como se eu usar o meu cabelo fosse algum tipo de crime.Ninguém nunca me disse que eu tinha esse direito, direito de ser eu mesma. Eu tive que passar por uma profunda fase de aceitação, aceitar que eu era crespa e aceitar que meu crespo é um 4C, daquele que tem cachinhos bem apertadinhos. Não foi uma luta fácil, mas hoje pela manhã eu senti necessidade de me livrar daquelas duas texturas, então fui ao salão e mandei tirar, tirar tudo. A cabeleireira estava decepcionada, mas aquela era minha decisão, eu senti medo,mas eu precisava fazer aquilo. Agora eu tenho um cabelo 100% natural, não sei até quando, mas hoje foi o que eu achei ser o melhor pra mim. Eu sou expressão maravilhosa do que Deus sonhou, essa decisão não foi só por mim, não foi só uma mudança capilar, foi uma mudança de postura, foi minha contribuição para as crespas que vão nascer ou para aquelas que um dia possam pensar em se libertar. Sempre nos foi dito que não poderíamos ser do jeito que a gente nasceu, nunca foi uma escolha nossa, nós quase nunca representamos o belo, é preciso mudar isso..

Fim da transição, fiz meu big chop 28/12/12

As pessoas na minha família estão falando que é muita coragem, mas eu acho tão estranho isso de ter que ser corajoso pra ser quem você realmente é. Crescemos acreditando que é errado ser da maneira que somos e nos adaptamos a isso, alguns de nós nunca vai conseguir mudar essa mentalidade. O meu desejo é que quem conseguiu levante essa bandeira e dê ao mundo o seu recado.